Fronteira Festival
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Mostras

 

Atualidade Rossellini

"Eu não quero fazer filmes bonitos, eu quero fazer filmes úteis" (Roberto Rossellini) A quarta edição do Fronteira - Festival Internacional do Filme Documentário e Experimental tem a honra de dedicar sua Mostra Retrospectiva a um dos maiores nomes do cinema moderno. A Mostra Atualidade Rossellini apresenta sete filmes do cineasta que foi o precursor do Neorrealismo italiano e que redirecionou os debates sobre o próprio cinema e os limites da produção cinematográfica. A curadoria é do pesquisador italiano Adriano Aprà (78 anos), que dedicou grande parte da vida a investigar a obra do diretor. Na ocasião, além de ter a oportunidade de assistir a cópias restauradas de filmes importantes da cinematografia do cineasta, o público contará também com a presença do próprio Aprà, que estará em Goiânia durante os dias do festival para sessões comentadas e uma Master Class, especialmente dedicada a discutir a obra de Rossellini.

Cadmo e o Dragão

Mostra permanente dedicada a filmes desobedientes, de temas urgentes e atuais, produzidos em Goiás. Uma historiografia possível de um cinema experimental e inventivo produzido em nosso estado, desenhada pela busca por renovação por parte de realizadores cujos olhares se destacam pelo frescor e rebeldia.

Cineastas na Fronteira – Lee Anne Schmitt + Stephen Broomer

Viagens memoráveis pela história do mundo através do espírito do cinema, pelo caminho da materialização experimental dos fantasmas das paisagens, da memória e do próprio cinema. Transitando pela não-ficção e pelo filme ensaio em suportes que variam entre o 16mm e o digital, as obras da diretora Lee Anne Schmitt, ao mesmo tempo em que cartografam espaços e paisagens, captam também uma fantasmagoria inerente àqueles lugares, revelando fendas da história norte-americana. Herdeiro de todo um legado do cinema experimental canadense, Stephen Broomer entrelaça seu trabalho entre pesquisa e preservação da memória do cinema, ao mesmo tempo em que opera entre o found footage e o cinema estrutural, percorrendo o cinema experimental.

Competitiva Internacional de Curtas-Metragens

Os 18 curtas selecionados para a Competitiva Internacional de Curtas-Metragens compõem três programas. No programa “Estados de Emergência” destacam-se filmes que expõem um desajuste e uma rebeldia diante do mundo destroçado em que vivemos. Filmes como Anti-Objetos (Anti-Objects, 2017), do realizador da etnia indígena norte-americana pechanga ho-chunk Sky Hopinka; Poço dos Desejos (Wishing Well, 2018), da artista alemã Sylvia Schedelbauer; Miragem Meus Putos (2017), do português Diogo Baldaia; Babilônia (Babylon, 2017), do filipino Keith Deligero; e o brasileiro Filme de Rua (2017), trabalho coletivo dirigido por Joanna Ladeira, Paula Kimo, Zi Reis, Ed Marte, Guilherme Fernandes e Daniel Carneiro. “Paisagens da Memória” lida com inscrições e vestígios do mundo a partir de uma postura ética engajada diante da guerra e do fascismo instalados. Compõem o programa O Turista no Espelho (2018), novo filme do veterano realizador goiano Lourival Belém Jr.; Travessia (2017), da brasileira Safira Moreira; Armadilha (Decoy, 2017), da norte-americana Alee Peoples; Homem Negro sem Identificação (Hombre negro sin identificar, 2017), do espanhol Javier Extremera; Rosa (2018), do sírio baseado nos EUA Saif Alsaegh; Nu Dem (2017), da norte-americana Jennifer Spazadeh; e Rua dos Construtores 3 (3rd Builders’ Street, 2018), do alemão Pim Zwier. “O Mundo que Falta” conclui a mostra buscando formas possíveis para representar um mundo que nos foi tirado, restituindo sua essência primordial. Serão exibidos neste programa Chamas (Polte, 2018), do realizador e preservador finlandês Sami Van Ingen; O 21° Dia (To Find the Day 21ST, 2017), da japonesa Kieko Ikehata; Frases Fantásticas (Phantasiezatse, 2017), do bósnio Dane Komljen; Mondo LXXV (2017), do realizador anapolino Rei Souza; A Pedra do Sol (Sunstone, 2018), da portuguesa Filipa César e do inglês Louis Henderson; e Terra Arrasada n.1 (Wasteland n.1, 2017), da norte-americana Jodie Mack.

Competitiva Internacional de Longas-Metragens

Retornam à mostra competitiva do IV Fronteira o norte-americano Chris Gude – melhor filme na primera edição do Fronteira (Mambo Cool, 2014) – e seu novo Mariana (2017); o realizador da Ceilândia, Adirley Queiroz, melhor diretor também na primeira edição, e seu Era Uma Vez Brasília (2017); e a realizadora kwuaitiana baseada nos EUA Basma Al Sharif, que concorreu na segunda edição do festival com o curta O’Persecuted (2015), agora em seu primeiro longa, Ouroboros (2017). Compõem ainda a seleção trabalhos como o do emblemático artista visual chinês Xu Bing, que realiza seu primeio longa com Os Olhos da Libélula (Dragonfly Eyes, 2017) e o novo filme da aclamada realizadora belga Annik Leroy, Tremor (2017). Completam a mostra competitiva de longas Eu Sou o Rio (2017), da dupla carioca Anne e Gabraz; o premiado filme da chilena Tiziana Panizza, Terra Solitária (Tierra Sola, 2017); e o italiano Eles Ainda Queimam (Esse Bruciano Ancora, 2017), da dupla Felice D’Agostino e Arturo Lovato.

Exibições Especiais

O IV Fronteira prevê exibições especiais de longas-metragens de diferentes origens que dialogam com os demais filmes programados para o festival. Destaque para Hengyoro – Caminhos Estranhos (Hengyoro, Japão, 2017), do lendário realizador de Okinawa, Takamine Go, ainda desconhecido no Brasil, cujo mais novo trabalho será exibido pela primeira vez no país. Protótipo (Prototype, Canadá, 2017), do canadense Blake Williams, destaca-se por ser, ao lado de Adeus à Linguagem de Jean-Luc Godard, uma das experiências mais viscerais em 3D já realizadas no cinema. Serão exibidos ainda o Diários de Classe (2017), da dupla bahiana Maria Carolina e Igor Souza, triste e assustadora imersão na realidade do sistema carcerário brasileiro; e Baixo Centro (2018), filme vencedor da Mostra Aurora no último festival de Tiradentes, dirigido pelos mineiros Ewerton Belico e Samuel Marotta.

Mostra Especial: Às Primaveras que Virão

Nesta mostra que revela a desobediência e os questionamentos, em linguagem e postura política, de cineastas-cidadãos em busca de um mundo diferente, estão programadas as estreias mundiais dos dois novos curtas de Sylvain George, nome decisivo do cinema político francês atual, ao qual a segunda edição do Fronteira dedicou sua retrospectiva: Um pouco da brasa que voa (Un Peau de Feu Que Vole, França, 2017) e Ainda maio (Joli Mai, França, 2017). Compõem ainda a mostra o brasileiro Secundas (Cacá Nazário, 2017), sobre a primavera secundarista de 2016; Informes da Nova Esquerda (New Left Note, Saul Levine, 1974), Lamentos da Destruição (Cry Havoc, Guli Silberstein, 2017); Blues do Deslocamento (Dislocation Blues, Sky Hopinka, 2017) e o francês O Manifestante Integral (Le Passánt Integral, Léo Richard, 2017).

Mostra Especial: Experimentos da Diáspora Africana

A mostra traz um conjunto de poéticas pós-coloniais dos negros sobre si, suas imagens e o mundo. Dentro deste conjunto, está programada a exibição da cópia restaurada de O Lamento do Jazz (The Cry of Jazz, EUA, 1959), clássico do cinema negro norte-americano dirigido por Ed Bland, acompanhado de filmes de Kevin Jerome Everson e Claudrena Harold – dois dos documentaristas mais importantes dos EUA hoje –; entre eles, Como eu Poderia me Atrasar (How Can I Ever Be Late, EUA, 2017), estreia no Brasil; a norte americana de descendência nigeriana Akosua Adoma Owusu, e seu novo trabalho Mahogany Também (2018); e Ephraim Asily, cujo filme anterior Kindah (2016) esteve em competição na terceira edição do Fronteira, retornando nessa agora com seu novo filme Fluid Frontiers (2017), que encerra a sua “diáspora suite” composta por outros quatro filmes.

Mostra Especial: Visões da Destruição

Dividida em três programas - Eminências da Morte, Janelas Para o Horizonte e Reviver o Mundo -, esta mostra reúne olhares de reinvenção a partir da “morte” do cinema. Dentro dela, Saul Levine, um dos mais importantes realizadores da vanguarda norte-americana desde os anos de 1970, faz estreia mundial de seu novo filme, Luz Vazada, Mancha do Amor (Light Lick, Love Stain, EUA, 2018). Um dos grandes nomes do atual cinema independente francês, Jean Claude Rousseau, estreia no Brasil com seus curtas Tão Longe Tão Perto (Si loin si proche, França / Japão, 2016) e A Vila (La Villa, França, 2017). Completam a programação os novos trabalhos de Luis Macías, Carlos Adriano, Scott Barley (melhor longa-metragem na terceira edição do Fronteira), Helena Girón e Samuel Delgado, Anja Dornieden e Juan David Gonzalez Monroy, Jacques Perconte, Nazli Dinçel, Ryan Ferko e os irmãos Anoushahpour, Fern Silva, Yuji Kodato, Luis Lopes Carrasco e David Gomez Alzate.

Onomatorquestra

A Onomatorquestra, uma orquestra de sons, ruídos e silêncios, foi formada em 2016 pelo professor Guile Martins e estudantes do curso de Bacharelado em Cinema e Vídeo do Instituto Federal de Goiás (IFG), na Cidade de Goiás, como atividade do componente curricular “Teoria da Música e dos Sons para Cinema”. A teoria virou prática e a prática tornou audível o conceito de que sons e imagens contaminam-se mutuamente. Para a Onomatorquestra o ranger de uma árvore ou a pausa para uma respiração trazem tanta emoção quanto as notas de uma cítara. Deixando agora as fronteiras da escola, a Onomatorquestra irá executar ao vivo a trilha sonora de dois filmes silenciosos da cineasta Maya Deren, At Land (1944) e A Study in Coreography for Camera (1945), e a animação brasileira Caminho dos Gigantes (2016), de Alois Di Leo. Utilizando sintetizadores, grãos de areia, brinquedos de criança e nossos próprios corpos como produtores de ruído, a Onomatorquestra propõe uma experiência sinestésica capaz de transportar o espectador ao cinema dos primeiros tempos, quando orquestras escondidas no fosso, na coxia ou atrás da tela, executavam ao vivo o trilha sonora de filmes que eram muita coisa, menos mudos. Participantes: Agnaldo Batista, Ana Luiza Reis, Alexandre Ventana, Bianca Andrade, Carminha Lombardi, Guile Martins, João Batista Carvalho, Junior Cortes, Olismar Júnior, Matheus Amorim, Sankirtana Dharma, Silvana Beline, Vanessa Rodrigues, Victor Hugo Ferreira, Viviane Goulart e Yasmin Nascimento.

Sessão de Abertura: "165708" + "Djamilia"

A sessão de abertura começa com a exibição de 165708, curta de Josephine Massarella (Canadá, 2017), recém-premiado como melhor curta metragem no Ann Arbor Film Festival, o mais antigo e importante festival de cinema independente e de vanguarda dos Estados Unidos. Após o curta, será exibido o longa Djamilia, de Aminatou Echard (França, 2018), que estreia na América Latina com a presença da realizadora francesa conhecida por filmar a vida das mulheres na América Latina e no Oriente Médio. O filme, atualmente em competição no Cinéma du Réel, recentemente esteve na seleção da prestigiada Seção Fórum no Festival de Berlim. A diretora Aminatou Echard comenta a sessão.

Sessão de Encerramento: "Ruinas tu reino"

O IV Fronteira Festival se encerra com a estreia no Brasil do longa Arruína Teu Reino (Ruinas tu Reino), de Pablo Escoto (México, 2016), obra mundialmente premiada sobre o cotidiano de um navio pesqueiro e seus tripulantes.