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Premiados III Fronteira e Reprise no Cine Cultura de 30/4 a 05/5

26/03/17

Cinema:

III Fronteira Festival Internacional do Filme Documentário e Experimental anuncia os vencedores da Mostra Competitiva de Longas e Curtas-Metragens

 

Entre os dias 16 e 25 de março o público de Goiânia teve a oportunidade de conhecer obras cinematográficas inéditas oriundas das mais diversas partes do mundo. Os números do Fronteira, juntamente com os números da BIS, são representativos da força que o cinema autoral tem sobre o público cinéfilo, estudiosos, críticos, pesquisadores, ou apenas apreciadores da sétima arte. Fronteira e BIS foram os parceiros que nos últimos dez dias compartilharam salas de exibição, convidados, público e experiências transformadoras de compreensão dos desafios do cinema mundial contemporâneo, sua produção, sua crítica e sua distribuição.

 

O III Fronteira exibiu 66 filmes, entre curtas e longas-metragens, distribuídos em 30 sessões, que ocorreram em 2 cinemas de rua de Goiânia (Cine Ritz e Cine Cultura). O total de público atingido foi de aproximadamente 1.650 pessoas nos filmes, e mais 30 pessoas com a Residência Estado Crítico e o Encontro VER CINEMA. O Fronteira exibiu pela primeira vez em Goiânia obras de Rita Azevedo Gomes e Boris Lehman. A americana Abigail Child também realizou através do Fronteira a estreia mundial de seu mais novo trabalho, Acts and Intermissions.

 

Os filmes curados para as mostras oficiais do Fronteira vieram dos seguintes países: EUA; Portugal; Brasil; Bélgica/França/Espanha; Japão; Canadá; Reino Unido/Taiwan; Bolívia/Qatar. Já os filmes das mostras competitivas, entre muitas coproduções internacionais, vieram de lugares como: Síria; EUA/México; Brasil; Portugal/França/Reino Unido; Espanha; Equador/EUA/Argentina; Camboja/França; Portugal/Bulgária; Colômbia/França/EUA; Jamaica/EUA; Filipinas. Com o Fronteira, Goiânia pôde alcançar representantes das obras cinematográficas de 21 países.

 

A BIS, por sua vez, contabiliza um público total de 1326 pessoas, distribuído em 26 sessões de cinema no Cine Ritz e 3 sessões no Cine Cultura; 30 horas de oficinas, em duas turmas; filmes de 8 países; Estreia nacional de People that are not me (anashim shehem lo ani) filme israelense de Hadas Ben Aroya (Selecionado no Festival de Locarno e ganhador do Festival de Mar de plata.); 13 horas de Masterclass de Daniel Deshays. Esse último deixando um interessante depoimento: “A Bienal é a proposta mais importante no século, e exatamente por isso se dispôs a vir ao Brasil pela primeira vez". Disse também que "é uma proposta única no mundo e essencial para se romper novas fronteiras no cinema"; o encontro de profissionais do som reuniu profissionais de todo o Brasil em 4 mesas e uma Masterclass. Foram 11h de programação.

 

Neste sábado, 25/03, aconteceu o último dia desta intensa e imersiva programação. Em sessão conjunta entre BIS e Fronteira foram anunciados os vencedores das mostras competitivas de ambos os eventos.

 

PREMIADOS - III FRONTEIRA Festival Internacional do Filme Documentário e Experimental

 

Longa-metragem

 

• Melhor Filme, pelo Júri Oficial: Sleep Has Her House, de Scott Barley (Reino Unido, 2016)

• Prêmio Especial do Júri Oficial: Território, de Alexandra Cuesta (Equador/EUA/Argentina. 2016)

• Melhor Filme, pelo Júri Popular: Houses Without Doors, de Avo Kaprealian  (Síria/Líbano, 2016)

 

Curta-metragem

 

• Melhor Filme, pelo Júri Oficial: Sol Negro, de Laura Huertas Milan (Colômbia/França/EUA, 2016)

• Prêmio Especial pelo Júri Oficial: Los (De)pendientes, de Sebastian Wiedman (Argentina/Colômbia, 2016)

• Melhor Filme, pelo Júri Popular: A Brief History of Princess X (Uma pequena história da Princesa X), de Gabriel Abrantes (Portugal/França/Reino Unido, 2016)

 

Sinopses dos filmes vencedores:

 

LONGAS:

 

Sleep Has Her House, Scott Barley (Reino Unido, 2016, 91'; digital colorido)

As sombras dos gritos escalam além das colinas. Isto já aconteceu antes. Mas esta será a última vez. Os últimos restantes o sentem, retirando-se profundamente adentro da floresta. Eles clamam ao escuro, enquanto as sombras desaparecem, no chão. Através de tomadas longas e estáticas, o filme desenvolve uma experiência contemplativa e hipnótica, semelhante a pinturas em movimento. Um filme que mistura live action, fotografia estática e imagens desenhadas à mão. Direção: Scott Barley; Roteiro: Scott Barley; Produção: Scott Barley, Ether Films; produção executiva: Scott Barley; Fotografia: Scott Barley; Montagem: Scott Barley; Som: Scott Barley; Trilha sonora: Scott Barley; contato: barl1992@googlemail.com

 

Territorio, Alexandra Cuesta (Equador/EUA/Argentina, 2016, 66', digital colorido)

Filmado no Equador, a jornada se inicia no oceano, atravessa as montanhas, e desce até a selva. Uma câmera fixa retrata imagens de paisagens e de pessoas à espera e serem observadas. Direção: Alexandra Cuesta; Produção: Alfredo Mora, Alexandra Cuesta e Micaela Rueda; Fotografia: Emilien Awada; Montagem: Pablo Mazzolo e Alexandra Cuesta; Som: Xavier Müller; Pós-podução: Juan Carlos Elizalde; contato: alexiagalaxia@gmail.com

 

Houses Without Doors, Avo Kaprealian (Síria/Líbano, 2016, 90', digital, colorido e P/B

O filme retrata as mudanças na vida de uma família armena na linha de frente de Aleppo, em Al Midan, uma área que deu abrigo aos armênios perseguidos há 100 anos, e também hoje, para muitos sírios refugiados. Da sacada da sua casa, o diretor filma as mudanças de sua vizinhança e de sua própria família com uma pequena câmera, entrelaçando suas imagens com extratos de filmes clássicos para ilustrar os paralelos entre o genocídio armênio e a realidade dos sírios hoje.  Direção: Avo Kaprealian; Roteiro: Avo Kaprealian; Produção: Bidayyat for Audiovisual Arts; produção executiva: Mohammad Ali Atassi; Fotografia: Avo Kaprealian; Montagem: Avo Kaprealian e Raya Yamisha; Som: Raed Younan; Trilha sonora: Samer Saem Eldahr (Hello Psychaleppo); contato: coordinator@bidayyat.org

 

CURTAS:

 

Sol Negro, Laura Huertas Milan  (Colômbia/França/EUA, 2016, 43', digital, colorido)

Antonia é uma cantora de beleza incomum, exuberante e sombria. Ao se recuperar de uma tentativa de suicídio numa instituição de reabilitação, todos os laços familiares se rompem de forma irremediável. Mas a irmã continua profundamente afetada pelo sucedido.  Direção: Laura Huertas MIllán; Roteiro: Laura Huertas MIllán; Produção: Franco Lolli, Capucine Mahé, Christophe Barral, Toufik Ayadi; Fotografia: Jordane Chouzenoux, Laura Huertas Millán; Montagem: Isabelle Manquillet e Laura Huertas Millán; Som: Jocelyn Robert e Juan Felipe Rayo; Elenco: Nohemi Millán, Martha Millán e Laura Huertas MIllán; contato: laura.huertasmillan@gmail.com

 

Los (De)pendientes, Sebastian Wiedemann (Argentina/Colômbia, 2016, 24', digital, P/B)

"Ensablagem de framentos de filmes políticos e revolucionários argentinos realizados entre 1956 e 2006, Los (De)pendientes supõe um passo importante na concepção da história do cinema. Considerando o passado, o filme nos diz que essas obras audiovisuais eram fiéis à realidade de seu tempo. Considerando o presente, mostra o pobre estado no qual se encontram essas imagens de vida e de luta. Considerando o devir, indica o que ainda está por ser feito para reconstruir uma história do cinema mais justa e verdadeira. Considerando a eternidade, é um poema aurático de sombras marcantes." Nicole Brenez. Direção: Sebastian Wiedemann; Roteiro: Sebastian Wiedemann e Adrián Cangi; Produção: Sebastian Wiedemann; produção executiva: Lucrecia Piattelli; Fotografia: Sebastian Wiedemann; Montagem: Sebastian Wiedemann; Som: Sebastian Wiedemann; Trilha sonora: Guem & Ute Wassermann; Elenco: Argentine People; contato: wiedemann.sebastian@gmail.com

 

A Brief History of Princess X (Uma pequena história da Princesa X), Gabriel Abrantes (Portugal/França/Reino Unido, 2016, 7’, digital, colorido)

Um retrato delirante da escultura Princess X de Constantin Brancusi, uma controversa escultura em bronze, que começou como um busto da igualmente controversa sobrinha bisneta do Napoleão, a Marie Bonaparte. Direção: Gabriel Abrantes; Roteiro: Gabriel Abrantes; Produção: Gabriel Abrantes, Hermaphrodite Films, Justin Taurand, Les Films du Bélier, Benjamin Cook, LUX/ICO; Fotografia: Jorge Quintela; Montagem: Margarida Lucas; Som: Carlos Abreu; Elenco: Filipe Vargas, Francisco Cipriano e Joana Barrios. Contato: agencia@curtas.pt

 

 

O Fronteira continua...

 

Entre os dias 30 de março e 05 de abril o Fronteira Festival vai reprisar no Cine Cultura parte de sua programação que é totalmente inédita em Goiânia. Serão mostrados os seis filmes de longa-metragem da mostra competitiva internacional, além dos curtas metragens vencedores da competição de curtas e também uma parte de suas exibições especiais. O longa brasileiro de Aloysio Raulino, Noites Paraguayas (1982), será apresentado em cópia restaurada juntamente com alguns dos principais curtas-metragens do cineasta que teve sua filmografia completa recentemente reunida em um box de DVD’s produzido pelo CTAv – Centro Técnico Audiovisual. O box será distribuído gratuitamente para o público presente nas sessões.

Segundo os organizadores do Fronteira, esta segunda chance para o público é gratificante, porque amplia a possibilidade de acesso aos filmes, que são raros no Brasil e profundamente impactantes para o contexto político contemporâneo. Todas as reprises no Cine Cultura serão gratuitas. Confira programação completa em breve no site do festival: www.fronteirafestival.com

 

Os jurados do Fronteira – CURTAS E LONGAS

 

Ángel Rueda: Programador, curador e realizador, Rueda é diretor e fundador da (S8) Mostra Internacional de Cinema Periférico em A Coruña, Espanha, com foco especial no cinema avant-garde, performance fílmica, cinema expandido e sua representação em pequenos formatos, igualmente histórico e contemporâneo.

 

Boris Lehman: nascido em Lausanne, em 1944, em uma família judia. Estudou cinema na National Filmschool INSAS em Bruxelas, entre 1962 e 1966. Ele é também ator, escritor, pianista e crítico de cinema. De 1965 a 1982, ele usou o cinema como meio terapêutico no Centre of Rehabilitation for the Mentally ill persons (Club Antonin Artaud). Ele fez, produziu e exibiu todos os seus filmes por conta própria, como realizador independente por quase 50 anos, sendo mais de 500 obras filmadas. A revista La Revue Belge du cinema dedicou sua 13ª edição a Boris Lehman, seu cinema e autobiografia (1985).

 

Cínthia Gil: frequentou a Escola Superior de Cinema e Cinema de Lisboa e licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras do Porto, onde lecionou seminários de Estética. Desde 2012 ela está codirigindo o Doclisboa - Festival Internacional de Cinema. É membro do conselho da Apordoc - Associação Portuguesa de Documentários. Participou de vários painéis, conferências e jurados internacionais, em festivais como FidMarseille, Festival de Cinema de Turim, Festival de Mar del Plata, Cruzando a Europa, Festival de Cinema de Sevilha, entre outros.

 

Os jurados da BIS

 

JÚRI DE CURTAS:

Marcelo Ribeiro é crítico e pesquisador de cinema e cultura visual, fundador e editor do incinerrante.com e cofundador e editor do aquem.in (com Juliana Costa). Doutor em Arte e Cultura Visual (UFG), com pesquisa sobre cinema e direitos humanos, é também professor de ensino superior, programador de cinema e curador de mostras e festivais.

 

Thais Oliveira é docente efetiva do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Doutoranda do Programa Interdisciplinar em Performances Culturais da Universidade Federal de Goiás (UFG). Mestre em Arte e Cultura Visual pela Faculdade de Artes Visuais da UFG. Tem interesse em pesquisas relacionadas a sonoridades e performances culturais,teoria e estética do som no audiovisual. Em produçoes cinematográficas atua prioritariamente como captadora de som direto e Sound Designer. Foi a primeira  mulher a trabalhar com operação de mesa de som ao vivo, na Rádio Brasil Central AM, no estado de Goiás. Nos anos de 2014, 2013 e 2012 foi ganhadora dos prêmios de melhor som nas mostras competitivas promovidas pela ABD-GO  no Festival Internacional de Cinema e vídeo ambiental de Goiás (FICA).

 

JÚRI DE LONGAS:

Fernando Morais é professor no Departamento de Cinema e Vídeo e no Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense. É autor de O som no cinema brasileiro (Rio de Janeiro: 7 Letras, 2008) e organizador de Som + Imagem (Rio de Janeiro: 7 Letras, 2012).

 

José Luis Díaz é desenhista de som e engenheiro de som argentino, com mais de 120 títulos no currículo, incluindo o filme indicado ao Oscar Relatos Selvagens e O Segredo de Seus Olhos.

 

Olivia Hernández é formada na especialidade de som pela Facultad de Medios de Comunicación Audiovisual del Instituto Superior de Arte de Cuba. Na Escuela Internacional de Cine e TV de San Antonio de los Baños – Cuba (EICTV), especializou-se pelo curso regular em desenho sonoro. Iniciou sua carreira profissional em Cuba e a partir de 2011 atua no mercado audiovisual brasileiro. Já trabalhou como técnica de som direto, editora de som, mixadora, foley artist e sound designer em longas, séries e curtas-metragens de ficção e documentário. Da América do Norte, América Central e o Caribe foi uma das 5 pessoas selecionadas para participar da oficina ministrada por Martin Hernández no Talents Guadalajara do 30° FICG de 2015.

 

A eterna homenagem do Fronteira à Andrea Tonacci

 

Em sua terceira edição o Fronteira Festival dedicou sua programação ao cineasta italiano radicado no Brasil, Andrea Tonacci, nascido em Roma em setembro de 1944 e falecido em São Paulo em dezembro de 2016. Conectado à obra e a figura sensacional de Andrea nasceu o Fronteira em 2014, fazendo a maior retrospectiva de seus filmes no Brasil, entre títulos de cinema, institucionais, educativos, publicitários e até mesmo filmes inacabados. Já na primeira edição, relataram os criadores do festival, que a existência da obra de Tonacci era uma das motivações para criação do projeto, uma vez que vinha dele a precepção da fronteira como lugar do humano e do cinema que é capaz de reinventar-se incansavelmente. A mostra retrospectiva de 2014 contou com a presença do diretor que é um dos principais nomes do Cinema Marginal, movimento cinematográfico da década de 1970, que construiu sua obra de forma independente e com parcos recursos, se recusando a submeter sua obra aos caprichos de editais de incentivo. Em 2015, novamente o Fronteira contou com a presença ilustre de Tonacci, como presidente do júri oficial.

 

Importante destacar o trabalho do cineasta que foi revisitado pelo público brasileiro em 2006, com o premiado “Serras da Desordem”, que narra a saga do índio Carapiru que sobrevive ao massacre de sua tribo e vai parar em Brasília. Segundo as falas de seus companheiros de jornada, Tonacci foi um trabalhador das artes que não se desviou nenhum centímetro de suas questões éticas. Morreu aos 72 anos, deixando uma obra significativa, das mais belas obras do cinema brasileiro. E com a fala dele é que encerramos nossa jornada até a linha de fronteira, onde encontramos os outros.

 

“Existe uma consciência de que a imagem é tão importante, tão forte, um afeto tão vivo, tão interferente na vida, que não é meramente um espetáculo, um divertimento, um passatempo, entretenimento. O que é isso? Isso é coisa dos americanos ou do que a indústria faz com o cinema. Mas o cinema que é a mente da gente, todas essas coisas, fusões, cortes, sobreposições, flashback, flashfoward, está tudo aqui na nossa cabeça. A máquina é uma invenção do homem. É uma forma de tentar colocar a mente no mundo, em imagens. A imagem então é viva, um ser vivo, que interefere na vida. Então, o sentido é mais de responsalibidade de fazer imagens e colocar imagens no mundo, diante dos outros. Porque você está interferindo. Você está criando uma situação no mundo com as imagens. Essa é uma responsabilidade. Isso vem lá de atrás… Rosselini. A profissão qual é? Ser homem.” Andrea Tonacci


III Fronteira – Festival Internacional do Filme Documentário e Experimental

+ I BIS – Bienal Internacional do Cinema Sonoro

16 a 25 de março – Cine Ritz, Cine Cultura e Centro Cultural UFG

 

Facebook e sites:

Fronteira: @fronteirafestival - http://fronteirafestival.com/

BIS: @bienalcinema - www.bis.art.br.

 

Assessoria de imprensa FronteiraAna Paula Mota / Nádia Junqueira

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